Autor: Alessandra

Controle das emissões não basta!

Acabou de sair o 1º Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários. Trata-se de um estudo do Ministério do Meio Ambiente que levou quase dois anos para ficar pronto e que detalha a poluição provocada por motores de carros, caminhões, motos e ônibus de 1980 a 2009.

Houve avanços incontestáveis no controle de emissões no período, mas, de acordo com o estudo, as perspectivas para a próxima década são críticas e apontam a necessidade imediata de novas políticas públicas de transporte. Especialistas alertam que mesmo os atuais níveis de poluição causam problemas, cujas principais vítimas são crianças e idosos.

Desde 1986, quando o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determinou a criação do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), um conjunto de ações que vão da determinação de limites de emissões à adoção de combustíveis mais limpos reduziu o nível de poluentes.

Alguns caem desde a entrada da década de 1990, outros a partir do final dos anos 90”, explica André Luís Ferreira, diretor do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), responsável pelo estudo.

Ele alerta que, apesar do avanço, não será mais possível evitar uma crise grave apenas controlando as emissões. “Já estabilizamos e podemos detectar que as emissões voltarão a crescer seguindo o aumento da frota. Apenas controle dos escapamentos não adianta mais”, afirma. “Há um limite para o controle de emissões por veículo e a partir de agora os ganhos serão cada vez mais custosos e menores”.

Transporte individual x transporte coletivo

“Quando se compara o Brasil com outros países da mesma dimensão, como China, Rússia, Índia e Canadá, é fácil constatar que a participação do transporte rodoviário é muito menor do que no Brasil. Temos um transporte excessivamente dependente do rodoviário. Nas estradas e nas cidades”, diz Ferreira.

Ele destaca que não tem sentido o Brasil seguir investindo e priorizando o transporte de cargas rodoviário, com caminhões movidos principalmente a diesel, em vez de apostar em alternativas como redes ferroviárias e hidroviárias.

O representante do IEMA ressalta que as iniciativas devem deixar de ser exclusivas aos órgãos de defesa do meio ambiente. “O problema deveria ser endereçado também à área de transporte dos municípios, aos órgãos de trânsito. A decisão de se priorizar o transporte motorizado individual não é de quem faz gestão da qualidade do ar”.

Idosos e crianças primeiro

Constatar quão crítica é a situação atual é fácil. Basta escolher um dia seco em São Paulo, qualquer dia, e ir até o Instituto da Criança do Hospital das Clínicas. Passando a recepção, depois de cruzar um piano velho, onde invariavelmente crianças com olhar moleque dedilham notas fora de tom, é só descer um corredor e procurar a sala de inalação para encontrar pelo menos um menino ou menina com a cara enfiada em uma máscara de oxigênio. Mesmo auxiliados por gentis enfermeiras, os pequenos têm o olhar aflito de quem não consegue respirar direito.

Não só em São Paulo, mas em todo Brasil a poluição provocada por veículos automotores já afeta a saúde. “Os mais atingidos são sempre os que estão nos extremos da idade, os mais jovens e os mais velhos. Crianças com doenças respiratórias e idosos são os grupos de risco”, resume o médico Ericson Bagatin, presidente da Comissão de Doenças Respiratórias Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

Com a quantidade de veículos entrando não tem jeito. Mesmo com controle de um lado, com atenção às emissões, escapa do outro, com o aumento da frota”.

Mudança climática

Outra preocupação de quem estuda e monitora o assunto é com a tendência a extremos no clima em função do aquecimento global. As variações cada vez mais drásticas são um problema, considerando que quanto mais seco e quente, mais a poluição afeta a saúde e agrava doenças respiratórias.

“Em agosto de 2010, após uma semana de 11 dias consecutivos com a umidade relativa do ar baixa, o que é um evento raro, houve aumento de mortes relacionadas a doenças cardiovasculares e respiratórias”, relata Micheline Coelho do Nascimento, colaboradora do Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo.

Estudamos poluição usando variáveis meteorológicas para isolar os dados, mas isso é cada vez mais difícil. Vivemos dias extremos, não dá mais para estudar uma coisa separada da outra”, diz a especialista.

A população não está percebendo a gravidade dessas mudanças. A impressão é que as pessoas estão indiferentes ao clima. Não dá mais para fazer as coisas da mesma forma de antes. O mundo vai parar. Temos que começar a ter uma visão diferente. Na prática não estamos preparados para a revolta da natureza”, conclui.

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Em Barcelona, Pontos Verdes ampliam reciclagem do lixo problemático

Você sabe o que fazer com aquele computador velho que não atrai nem o técnico de informática que poderia reaproveitar as peças? E com o isopor gigante que saiu da caixa da TV recém comprada? A cada dia descartamos mais objetos complicados, que não se enquadram nos recipientes de coleta seletiva tradicionais, os coloridos de amarelo (para metal), vermelho (plástico), azul (papel) e verde (vidro).

Pois há alguns anos, Barcelona, Espanha, implantou os chamados Puntos Verdes, centros de descarte para o lixo incomum ou complexo. Eles se dividem em três tipos: de bairro, zona, e os móveis.

Os primeiros são dedicados a moradores, os segundos ao comércio; os últimos operam através de caminhões que circulam pela cidade atendendo às pessoas que não podem ou não querem deslocar-se.

Ou seja, até quem não estiver disposto a uma caminhadinha de 15 minutos pelas calçadas perfeitas da cidade pode se dar o direito de esperar a coleta em casa.

Classifica-se o lixo que chega aos Puntos Verdes em:

  • Reutilizáveis: itens que podem ser imediatamente reaproveitados, como roupas, calçados e cartuchos de impressora vazios
  • Recicláveis: eletroeletrônicos, óleo de cozinha e pneus de pequeno porte
  • Especiais: itens exóticos, compostos de vários materiais ou perigosos, tais como as latas de spray de tinta e os diversos tipos de pilhas e baterias

Descartá-los nesses centros é garantia de que passarão pela triagem adequada e terão o melhor destino possível. Mas não param aí e ainda prestam outros serviços. Para os donos e donas de casa que gostam de tudo organizado, por lá também se pode descolar sacolas coloridas (para a seleção doméstica do lixo), bolsas de compra reutilizáveis feitas de tecido (em substituição às mal afamadas sacolas plásticas) e ainda distribuem um manual que é uma mão na roda.

Por exemplo, não sabia o que fazer com embalagens tipo Tetra Pak; por fora, de papel e, por dentro, película de metal. No livrinho, aprendi que podia colocá-las nas latas amarelas normais, destinadas a metal.

No fim do período que passei em Barcelona, voltei a morar no meu antigo endereço, no Flamengo, Rio de Janeiro. Desde então, já cansei de rodar só para descartar um punhado de pilhas velhas. É verdade, havia uma cesta verde, própria para isso, em frente à minha casa, mas por um bom tempo ela andou, digamos, desaparecida…

A COMLURB, operadora local, informa que a coleta seletiva funciona em parte da cidade e é feita apenas semanalmente.  Fiz uma busca no site da empresa. Até tem uma lista de locais de descarte de baterias: mas não é nada amigável.

Se refere a bairros, sem fornecer endereços e usa códigos que só urbanistas conhecem, ou alguém aí sabe o que é AP1 (para os íntimos, Área de Planejamento 1)?

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